Em 2026, o chamado Fio B — a parte da tarifa de energia que remunera a rede de distribuição, cuja cobrança progressiva sobre a energia solar foi criada pela Lei 14.300/2022 — passa a incidir sobre 60% da energia solar injetada na rede por quem tem geração distribuída, o maior percentual já aplicado desde que a cobrança começou a ser escalonada. É natural que isso levante a pergunta: instalar energia solar agora ainda vale a pena? A resposta curta, com todas as ressalvas de praxe, é sim, na maioria dos casos — o Fio B reduz parte da economia mensal, mas não costuma inviabilizar o investimento, cujo retorno estimado continua girando entre 3 e 7 anos, dependendo do consumo, do dimensionamento do sistema e da forma de pagamento escolhida.
Este texto explica, de forma direta, o que mudou na regra em 2026, por que o momento é diferente dos anos anteriores, como fazer a conta do payback (tempo de retorno do investimento) considerando o novo custo, e o que checar antes de fechar qualquer proposta — sem prometer economia fixa, porque cada telhado, cada consumo e cada orçamento são diferentes.
O que é a Lei 14.300/2022 e o marco regulatório da energia solar
A Lei 14.300, sancionada em janeiro de 2022, criou o marco legal da micro e minigeração distribuída no Brasil — o nome técnico para os sistemas de energia solar (ou eólica, ou outras fontes renováveis) instalados em residências, comércios e indústrias, que geram energia no próprio local de consumo. A lei consolidou em texto único regras que antes viviam apenas em resoluções da ANEEL, e criou um mecanismo central para quem tem energia solar: o sistema de compensação de créditos, também chamado de net metering.
Funciona assim: quando o sistema solar gera mais energia do que a casa consome naquele momento (normalmente durante o dia), o excedente é injetado na rede da distribuidora — no caso de Santa Catarina, a Celesc — e vira crédito de energia, usado para abater o consumo em outros horários ou meses, dentro da mesma área de concessão. É esse mecanismo que permite, na prática, “usar a rede elétrica como uma bateria” sem precisar de baterias físicas caras.
O ponto central da Lei 14.300 — e o motivo de este artigo existir — é que ela também criou uma regra de transição para cobrar progressivamente o Fio B sobre a energia injetada, algo que antes era compensado de forma integral.
Fio B em 2026: por que este ano é um divisor de águas
Antes da Lei 14.300, quem tinha energia solar compensava 100% da energia injetada na rede, sem pagar a parcela do Fio B sobre ela. A lei mudou isso com um cronograma de cobrança progressiva, que chega ao seu ponto mais alto em 2026:
| Ano | Fio B cobrado |
|---|---|
| 2023 | 15% |
| 2024 | 30% |
| 2025 | 45% |
| 2026 | 60% |
A trajetória segue subindo nos anos seguintes, em direção ao fim da transição prevista para 2029, quando o Fio B deve ser cobrado sobre praticamente toda a energia injetada. Ou seja: 2026 não é o teto da cobrança, é apenas o ponto em que ela passa a representar a maior fatia já aplicada até aqui — e a diferença para os próximos anos tende a ser menor, em termos percentuais, do que os saltos já vividos entre 2023 e 2026.
Há um detalhe que costuma passar despercebido e que é um fato regulatório real, não uma promoção: quem instalou o sistema até 6 de janeiro de 2022, ou protocolou o pedido de acesso à distribuidora até 6 de janeiro de 2023, tem direito adquirido à compensação integral (sem Fio B) até 2045. Isso significa que, para quem já decidiu instalar dentro desse prazo, o novo percentual de 2026 simplesmente não se aplica. Para quem ainda está decidindo, o raciocínio é o oposto: quanto mais se adia a instalação, maior a fatia do Fio B que incide sobre a energia gerada dali para frente — o que é um dado real do cronograma, não um argumento de venda.
Como o Fio B entra na conta do payback
O Fio B não é cobrado sobre a conta de luz inteira — apenas sobre a energia que o sistema solar injeta na rede e que depois é usada como crédito. Energia consumida diretamente da geração própria, no momento em que é gerada (o chamado autoconsumo instantâneo), não passa por essa cobrança. Por isso, sistemas bem dimensionados para o perfil de consumo da casa (por exemplo, quem usa mais energia durante o dia) sentem menos o efeito do Fio B do que sistemas que dependem muito da compensação noturna.
Para ilustrar o raciocínio — números meramente exemplificativos, sem valor de proposta real — imagine uma residência que gastava, antes da instalação, cerca de R$ 450 por mês em energia. Um sistema solar bem dimensionado para esse consumo tende a reduzir essa conta para próximo da tarifa mínima cobrada pela distribuidora, mesmo com o Fio B incidindo sobre parte da energia injetada. A diferença entre pagar 15% de Fio B (como em 2023) e 60% (como em 2026) reduz a economia mensal, mas normalmente ainda mantém a conta muito abaixo do valor pago sem o sistema — o que preserva o investimento dentro da faixa de retorno estimada em 3 a 7 anos, sem garantir um número fixo, porque isso depende do valor investido, da forma de pagamento e do perfil real de consumo de cada residência ou empresa.
Em resumo: o Fio B em 60% torna o payback um pouco mais longo do que seria em 2023, mas a queda de rendimento tende a ser gradual, não abrupta — e segue muito distante de tornar a energia solar um mau negócio.
O panorama do setor solar brasileiro em 2026
O contexto de mercado ajuda a entender por que a energia solar continua crescendo mesmo com o Fio B subindo. Segundo o Portal Solar, com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o Brasil deve adicionar 10,6 GW de nova capacidade solar em 2026 — uma retração de cerca de 7% frente ao volume instalado em 2025, atribuída em parte ao próprio avanço do Fio B e ao fenômeno do curtailment (limitação da geração em pontos da rede já saturados). Mesmo com essa desaceleração no ritmo de crescimento, o volume segue expressivo: o setor não parou, apenas passou a crescer um pouco mais devagar.
Do lado da geração distribuída especificamente — os sistemas instalados em telhados —, a própria ANEEL registrou a adição de mais de 5 GW só em 2025, mantendo o ritmo de expansão observado desde o início da cobrança do Fio B em 2023 — quem acompanha os números abertos da agência (disponíveis na base de dados abertos de geração distribuída da ANEEL) pode conferir a evolução mês a mês.
Outro dado ajuda a explicar por que gerar a própria energia segue atraente: segundo o Portal Solar, a tarifa residencial de energia elétrica deve subir, em média, cerca de 5,4% em 2026 no Brasil. Isso significa que, mesmo com o Fio B mais alto, quem depende 100% da rede também está pagando mais — o que reduz a diferença de custo entre “ficar como está” e “gerar a própria energia”.
Santa Catarina: isenção de ICMS sem prazo para geração distribuída
Um benefício regional que costuma pesar na decisão, e que muitas vezes passa despercebido fora do estado: desde o Convênio ICMS 114/2023, do CONFAZ, Santa Catarina isenta de ICMS a energia elétrica compensada por sistemas de micro e minigeração distribuída — sem limite de prazo, segundo a Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina (SEF/SC).
Isso diferencia Santa Catarina de estados vizinhos: o Paraná, por exemplo, mantém a isenção limitada a 48 meses a partir da conexão do sistema — depois desse período, o ICMS volta a incidir sobre a energia compensada. É importante frisar que a regra do ICMS é estadual, não nacional: cada estado define sua própria política, e o que vale para Santa Catarina ou Paraná não se aplica automaticamente a outros estados, que precisam ser consultados individualmente.
Na prática, para um consumidor catarinense, isso significa que a parcela de ICMS sobre a energia compensada simplesmente não existe — um alívio que se soma à economia gerada pelo próprio sistema solar, de forma permanente, e que ajuda a compensar parte do efeito do Fio B na conta final.
O que checar antes de contratar um sistema de energia solar
Independentemente da regra do Fio B, alguns pontos práticos deveriam constar em qualquer orçamento de energia solar antes da assinatura do contrato:
- Tipo de telhado. Cerâmico, fibrocimento, metálico, laje ou instalação em solo exigem estruturas de fixação diferentes, que mudam o custo e o prazo da obra.
- Forma de pagamento. À vista, parcelado no cartão (em geral até 18x sem juros, dependendo da bandeira e do limite disponível) ou financiamento bancário — este último sempre sujeito à análise de crédito da instituição financeira.
- Prazo real de instalação e homologação. O prazo costuma ficar entre 45 e 90 dias — mas contado a partir do pagamento integral do sistema, não da assinatura do contrato. Essa diferença é frequentemente mal explicada em propostas comerciais.
- Garantias dos equipamentos. O padrão do mercado é 25 anos de garantia de performance para os painéis e 12 anos para os microinversores — vale conferir se a proposta cobre exatamente isso, e não um prazo menor disfarçado de “garantia”.
- Dimensionamento do sistema. Um sistema maior do que o necessário custa mais e demora mais para se pagar; um sistema menor do que o necessário deixa a conta de luz mais alta do que poderia. O dimensionamento correto depende do histórico real de consumo, não de uma estimativa genérica.
Vale lembrar também que a energia solar fotovoltaica não gera energia à noite nem em plena escuridão — em dias nublados a geração cai, mas não zera, porque os painéis continuam captando luz difusa. É exatamente por isso que o sistema de compensação de créditos existe: ele permite usar a energia gerada durante o dia para abater o consumo em outros horários, dentro do ciclo de faturamento.
Vale a pena instalar energia solar em 2026?
Juntando os pontos deste texto: o Fio B a 60% reduz parte da economia mensal em relação a quem instalou antes, mas o cenário geral — tarifas em alta, isenção de ICMS em Santa Catarina, garantias longas dos equipamentos e um payback que, na maioria dos casos, ainda fica entre 3 e 7 anos — continua favorável a quem tem telhado próprio e consumo compatível com o investimento. A decisão certa depende sempre de uma conta específica: consumo real, tipo de telhado, forma de pagamento e prazo de retorno desejado — nunca de uma regra genérica aplicada a qualquer residência ou empresa.
Diante desse cenário, a decisão de instalar (ou de esperar) passa menos pelo medo do Fio B e mais pela conta específica de cada telhado e cada conta de luz. Antes de fechar qualquer contrato, vale buscar uma avaliação técnica gratuita do telhado e do padrão de consumo, feita antes de qualquer proposta comercial fechada — esse tipo de checagem costuma revelar se o sistema ideal é menor (e mais barato) do que o primeiro orçamento sugere. Empresas como a CotaSollar, ligada a uma rede de franquias especializada em soluções financeiras e energia solar, com atuação em Santa Catarina e atendimento remoto para outras regiões do país, costumam oferecer esse tipo de análise sem custo, justamente porque o dimensionamento errado costuma ser o erro mais caro — e mais comum — da compra.
Perguntas frequentes
O que é o Fio B e por que ele importa em 2026?
O Fio B é a parte da tarifa de energia que remunera a rede de distribuição elétrica. Desde a Lei 14.300/2022, ele passou a incidir progressivamente sobre a energia solar injetada na rede por quem tem geração distribuída. Em 2026, essa cobrança chega a 60%, o maior percentual até agora, num cronograma que segue subindo até o fim da transição prevista para 2029.
Energia solar ainda vale a pena com o Fio B a 60%?
Na maioria dos casos, sim. O Fio B reduz parte da economia mensal, mas não costuma inviabilizar o investimento: o payback estimado continua, em geral, entre 3 e 7 anos, dependendo do consumo, do dimensionamento do sistema e da forma de pagamento. Cada caso exige um cálculo específico, sem número fixo garantido.
O que acontece com quem já tinha sistema instalado antes de 2023?
Quem instalou o sistema até 6 de janeiro de 2022, ou protocolou o pedido de acesso à distribuidora até 6 de janeiro de 2023, tem direito adquirido à compensação integral (sem cobrança de Fio B) até 2045. Para esses casos, o cronograma de 2026 simplesmente não se aplica.
Como funciona a isenção de ICMS para energia solar em Santa Catarina?
Desde o Convênio ICMS 114/2023, do CONFAZ, Santa Catarina isenta de ICMS a energia compensada por sistemas de micro e minigeração distribuída, sem limite de prazo. É uma regra estadual — outros estados, como o Paraná, aplicam limites diferentes (no caso do Paraná, 48 meses), e cada estado precisa ser consultado individualmente.
Quanto tempo demora para o sistema se pagar?
O tempo de retorno (payback) costuma variar entre 3 e 7 anos, conforme o consumo da residência ou empresa, o dimensionamento do sistema e a forma de pagamento escolhida. Não existe prazo fixo garantido: cada orçamento precisa ser calculado a partir do consumo real e do investimento efetivamente feito.
Energia solar funciona em dias nublados ou à noite?
Em dias nublados a geração cai, mas não zera, porque os painéis continuam captando luz difusa. À noite não há geração. É por isso que o sistema de compensação de créditos (net metering) existe: a energia excedente gerada durante o dia vira crédito para abater o consumo em outros horários e meses, dentro da mesma área de concessão da distribuidora.
Fontes
- Planalto — Lei nº 14.300, de 6 de janeiro de 2022: planalto.gov.br.
- ANEEL — Crescimento da micro e minigeração distribuída em 2025: gov.br/aneel; base de dados abertos: dadosabertos.aneel.gov.br.
- Portal Solar (com dados da ABSOLAR) — Projeção de adição de capacidade solar em 2026: portalsolar.com.br; tarifa residencial em 2026: portalsolar.com.br.
- CONFAZ — Convênio ICMS 114/2023 (isenção de ICMS para geração distribuída em SC): confaz.fazenda.gov.br.
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Perguntas frequentes (publicar junto)
O que é o Fio B e por que ele importa em 2026?
O Fio B é a parte da tarifa de energia que remunera a rede de distribuição elétrica. Desde a Lei 14.300/2022, ele passou a incidir progressivamente sobre a energia solar injetada na rede por quem tem geração distribuída. Em 2026, essa cobrança chega a 60%, o maior percentual até agora, num cronograma que segue subindo até o fim da transição prevista para 2029.
Energia solar ainda vale a pena com o Fio B a 60%?
Na maioria dos casos, sim. O Fio B reduz parte da economia mensal, mas não costuma inviabilizar o investimento: o payback estimado continua, em geral, entre 3 e 7 anos, dependendo do consumo, do dimensionamento do sistema e da forma de pagamento. Cada caso exige um cálculo específico, sem número fixo garantido.
O que acontece com quem já tinha sistema instalado antes de 2023?
Quem instalou o sistema até 6 de janeiro de 2022, ou protocolou o pedido de acesso à distribuidora até 6 de janeiro de 2023, tem direito adquirido à compensação integral (sem cobrança de Fio B) até 2045. Para esses casos, o cronograma de 2026 simplesmente não se aplica.
Como funciona a isenção de ICMS para energia solar em Santa Catarina?
Desde o Convênio ICMS 114/2023, do CONFAZ, Santa Catarina isenta de ICMS a energia compensada por sistemas de micro e minigeração distribuída, sem limite de prazo. É uma regra estadual — outros estados, como o Paraná, aplicam limites diferentes (no caso do Paraná, 48 meses), e cada estado precisa ser consultado individualmente.
Quanto tempo demora para o sistema se pagar?
O tempo de retorno (payback) costuma variar entre 3 e 7 anos, conforme o consumo da residência ou empresa, o dimensionamento do sistema e a forma de pagamento escolhida. Não existe prazo fixo garantido: cada orçamento precisa ser calculado a partir do consumo real e do investimento efetivamente feito.
Energia solar funciona em dias nublados ou à noite?
Em dias nublados a geração cai, mas não zera, porque os painéis continuam captando luz difusa. À noite não há geração. É por isso que o sistema de compensação de créditos (net metering) existe: a energia excedente gerada durante o dia vira crédito para abater o consumo em outros horários e meses, dentro da mesma área de concessão da distribuidora.











