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Lula cria novo projeto de lei para transformar CEFET em universidade

Lula cria novo projeto de lei para transformar CEFET em universidade

Presidente apresentou proposta dias depois de ter vetado um texto semelhante do deputado federal Patrus Ananias, devido a obstáculos legais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, nesta quinta-feira (6/8), um novo projeto de lei (PL) para transformar os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) de Minas Gerais e do Rio de Janeiro em Universidades Tecnológicas. O chefe do Executivo do Brasil anunciou, nas redes sociais, que enviará o texto ao Congresso Nacional, para os devidos trâmites legais.

O anúncio ocorre uma semana depois de o próprio presidente ter vetado integralmente um PL semelhante, de autoria do deputado federal e candidato ao governo de Minas Gerais Patrus Ananias (PT). Em um vídeo no qual cita o parlamentar, Lula explicou que, de acordo com a Constituição, iniciativas que promovem a transformação de autarquias e reorganizam a administração pública federal são de prerrogativa do Executivo.

“Criar uma universidade é iniciativa do Poder Executivo, e não do Legislativo”, disse Lula. No entanto, o presidente da República ponderou que a transformação dos Cefets em universidades é importante para os dois estados e, por isso, enviaria tal proposta às esferas parlamentares. “A lei que eu vetei vai de volta ao Congresso Federal, melhorada, aperfeiçoada, para Minas e para o Rio de Janeiro”, declarou.

Em resposta, Patrus também se manifestou nas redes sociais. O deputado agradeceu a Lula e disse ter recebido “com muita emoção” a decisão pelo novo PL. “Aqui em Minas, eu sei que muitas lideranças políticas, prefeitos de cidades que vão ser bem-contempladas pela nova universidade, professoras, professores, a reitora do Cefet, que agora vai ser universidade, estarão muito felizes com o seu projeto, com a sua decisão”, afirmou o parlamentar.

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Proposta
O PL proposto por Patrus, agora recriado por Lula, prevê a transformação do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) em Universidade Tecnológica Federal de Minas Gerais (UTFMG). Do mesmo modo, o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) será convertido em Universidade Tecnológica Federal do Rio de Janeiro (UTFRJ).

O veto integral ao texto proposto pelo deputado mineiro havia sido recomendado pelos ministérios da Educação, da Fazenda e do Planejamento e Orçamento, e também pela Advocacia-Geral da União (AGU). A atual gestão do Ministério da Educação (MEC), liderada por Leonardo Barchini, afirmou ao Planalto que o projeto não era adequado por vários motivos. Dentre eles, a abertura de um precedente para a criação de universidades por iniciativa de parlamentares, o risco de enfraquecimento da rede de institutos federais e o risco de redução da oferta de ensino médio técnico nessas instituições.

As comunidades acadêmicas do Cefet-MG e do Cefet-RJ, no entanto, demonstraram descontentamento com o veto do Executivo brasileiro, afirmando que a mudança se tratava de uma demanda histórica das instituições. Em nota, as gestões das duas instituições declararam ter recebido tal decisão “com profunda decepção”.

Cefet-MG

Apesar de ter esse nome desde 1978, a história do Cefet-MG começou há mais de 100 anos, com o Decreto nº 7.566, de 23 de setembro de 1909, em que o presidente da época, Nilo Peçanha, criou as Escolas de Aprendizes Artífices em 19 capitais do país.

Minas atualmente tem 11 unidades da instituição de ensino espalhadas – sendo três delas em Belo Horizonte. As outras ficam nas cidades de Araxá, no Triângulo Mineiro; Contagem, na Região Metropolitana de BH; Curvelo, na Região Central de Minas; Divinópolis, no Centro-Oeste do estado; Leopoldina, na Zona da Mata mineira; Timóteo, no Vale do Rio Doce; e Nepomuceno e Varginha, que ficam no Sul de MG.

O Cefet-MG recebeu, em 2025, 14.775 alunos distribuídos entre os 144 cursos disponibilizados (94 técnicos, 23 graduações, 10 especializações, 14 mestrados e 3 doutorados).

Somado ao Cefet-RJ, são mais de 9 mil vagas ofertadas todos os anos, e mais de 34 mil alunos, segundo dados divulgados pelas instituições.


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