Festival de Cinema Infantil começa nesta quarta, dia 5, em Leopoldina, e segue, nos dias seguintes, para Muriaé e Cataguases, mantendo atividades formativas no digital, incluindo masterclass com Célia Catunda, criadora do Peixonauta e diretora de “Tarsilinha”, longa da edição.

Outras presenças, outras formas de contato. O É Tudo Criança – Festival de Cinema Infantil chega à sua terceira edição perseguindo outras presenças, valorizando tanto o contato físico, quanto o intercâmbio virtual. O evento, cuja primeira edição foi integralmente presencial e a segunda, por conta da pandemia de Covid-19, foi totalmente virtual, conjuga os dois formatos na edição que se inicia na próxima quarta-feira, dia 5, em Leopoldina, na Zona da Mata mineira. E se expande, já que no dia seguinte, 6, chega à Muriaé e, na sexta-feira, dia 7, termina em Cataguases. No mês dedicado às crianças, o festival que dá protagonismo às infâncias expande seus limites. “Vamos atingir um público maior, alcançando mais crianças da região”, observa Iano Oliveira, coordenador do evento. “Buscamos expandir o cinema infantil, seja territorialmente, seja conceitualmente. E isso é sempre um desafio”, acrescenta.
As quatro mostras do festival ganham a telona ao longo do dia. Às 9h são exibidos os curtas-metragens da Mostra Competitiva Minas Gerais, com produções do estado; e as mostras especiais Criança Faz Cinema, com filmes criados a partir de processos educativos, e Sabiá, com temática ambiental. Às 14h é a vez da Mostra Competitiva Infâncias Plurais, que valoriza a diversidade do país e de suas infâncias. Encerrando o dia, às 18h30, o festival oferece a exibição do longa-metragem “Tarsilinha”, lançamento assinado Célia Catunda e Kiko Mistrorigo, mesmos criadores do sucesso “Peixonauta”. A programação presencial ocupa o Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira, em Leopoldina, no dia 5; o Teatro Municipal Belmira Vilas Boas, em Muriaé, no dia 6; e o Centro Cultural Humberto Mauro, em Cataguases, no dia 7. “A terceira edição do festival tem o desafio de pensar em novos caminhos, novos ares, buscando outros espaços. Nossas mostras competitivas – tanto a estadual quanto a nacional – revelam a produção do cinema infantil em Minas Gerais e no Brasil”, destaca o coordenador do É Tudo Criança.
Compromisso com a educação
Interessado em fomentar o debate e estimular a formação, o festival ainda oferece duas oficinas em Leopoldina, de teatro, às 7h30, com Sarom Durães, e de cinema, às 13h, com Renatta Barbosa. “Queremos tratar o cinema de forma expandida, com webinários, oficinas e outras interfaces do cinema, principalmente o infantil”, aponta Iano Oliveira. No ambiente digital, o É Tudo Criança oferece uma masterclass com a diretora de Tarsilinha, a produtora e cineasta Célia Catunda. O evento acontece no YouTube do festival, às 17h, com o tema “Peixonauta, O Show da Luna! e Tarsilinha: Arte e infância nas telas”
Na quinta, 6, às 17h, é a vez do webinário “‘Antes de falar de amor’: educação sexual para crianças”, com a pedagoga e atriz Milenna Trindade e a cineasta Sarah Tavares. A mesa sobre o filme protagonizado por Milenna e dirigido por Sarah tem mediação da professora e pesquisadora Vitória Bergo. No dia seguinte, sexta, ocorre o webinário, também on-line, às 17h, “Educação audiovisual: imaginando outras realidades”, com as professoras e pesquisadoras Eliany Salvatierra Machado, do departamento de cinema e audiovisual da Universidade Federal Fluminense, e a Liana Lobo, do Núcleo de Arte do Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais. A mesa tem mediação do Diretor da Unidade Acadêmica de Leopoldina da Universidade do Estado de Minas Gerais Rodrigo Fialho.
“Nosso objetivo maior é fortalecer o cinema como propulsor de conhecimento e de experiências. As crianças precisam experimentar e construir narrativas fílmicas”, defende o coordenador do festival.
Pluralidade e memória em cena

No ano de celebração do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, o cinema brasileiro lança em animação uma ode a uma de suas maiores expoentes. Tarsila do Amaral salta na telona como uma simpática personagem em 3D, imersa no universo colorido de suas obras. “Tarsilinha”, que tem exibição nos três dias do É Tudo Criança, não se propõe a narrar a vida da artista, mas a traduzir seus referenciais, suas cores e seus interesses. De acordo com a diretora Célia Catunda, que assina o trabalho com Kiko Mistrorigo, para fazer o longa foi preciso mergulhar fundo no conjunto de obras de Tarsila.
“Trabalhamos bastante em cima de desenhos e aquarelas. O primeiro recorte foi a fase Pau-Brasil e a fase antropofágica. A decisão levou em conta o fato de serem as fases mais conhecidas, representativas e impactantes da obra”, explica a cineasta, também responsável pelos sucessos “Peixonauta” e “O Show da Luna!”. “Qualquer adulto que mostrar algum trabalho da Tarsila para crianças, seja pelo livro seja pela internet, percebe na hora que existe um interesse e uma curiosidade. Foi uma coisa natural, quando a sobrinha neta da artista plástica veio falar com a gente sobre isso achamos que era uma grande oportunidade. É um filme para a família”, afirma Célia, que ministra a masterclass on-line no dia 5, às 17h.
“Tarsilinha”, portanto, transpõe para a linguagem infantil o complexo universo de uma das maiores artistas visuais do país. Da mesma forma fazem os filmes selecionados para as quatro mostras do festival este ano. Segundo Paula Duarte, que divide a curadoria do É Tudo Criança com Arthur Fiel, a seleção de 2022 trata com sensibilidade assuntos difíceis. “Essas produções muitas vezes pautam questões duras, mas numa perspectiva infantil, com as crianças lidando com esses problemas”, pontua. “Ano passado nós tivemos muitos filmes falando sobre a pandemia, refletindo o tempo que a gente está vivendo. Este ano temos muitos filmes tratando de questões complexas e sociais. Um deles, por exemplo, aborda a questão da violência sexual numa linguagem que é própria para a criança. Debatemos muito esse filme, porque consideramos muito necessário. Outro, conta a história de uma menina negra que vive numa comunidade e o Papai Noel não leva os presentes.”

A grande diversidade de vozes das diferentes regiões do Brasil é outra marca da seleção desta edição, assegura Paula Duarte. “Um importante destaque do É Tudo Criança é oferecer acesso a obras de fora do eixo Rio-São Paulo, fora do lugar comum”, elogia a curadora, entusiasmada com uma pluralidade também expressa na forma das narrativas: “Temos animações, documentários, gêneros muito diferentes.” Em sua 3ª edição, o É Tudo Criança – Festival de Cinema Infantil expande seu olhar para as muitas crianças e suas múltiplas presenças.
Programação
§ Dia 5 (quarta-feira) – Leopoldina – Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira
§ Dia 6 (quinta-feira) – Muriaé – Teatro Municipal Belmira Vilas Boas
§ Dia 7 (sexta-feira) – Cataguases – Centro Cultural Humberto Mauro
Atividades educativas
§ Oficina de teatro, com Sarom Durães, dia 5, às 7h30
§ Oficina de Cinema, com Renatta Barbosa, dia 5 às 13h
§ Masterclass “Peixonauta, O Show da Luna! e Tarsilinha: Arte e infância nas telas”, com Célia Catunda, dia 5, às 17h, no YouTube
§ Webinário “’Antes de falar de amor’: educação sexual para crianças”, com Sarah Tavares e Milenna Trindade, mediação de Vitória Bergo, dia 6, às 17h, no YouTube
§ Webinário “Educação Audiovisual: Imaginando outras realidades”, com Eliany Salvatierra e Liana Lobo, mediação de Rodrigo Fialho, dia 7, às 17h, no YouTube
Mostras
§ 9h: Mostra Competitiva Minas Gerais
Especial Criança Faz Cinema
Mostra Especial Sabiá
§ 14h: Mostra Competitiva Infâncias Plurais
§ 18h: Apresentações culturais
§ 18h30: “Tarsilinha”, de Célia Catunda e Kiko Mistrorigo
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Fonte: Literária Comunicação com Livian Pace e Mauro Morais








