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Esquema ligado ao Comando Vermelho na Penitenciária de Muriaé resulta em seis condenações

Esquema ligado ao Comando Vermelho na Penitenciária de Muriaé resulta em seis condenações

Processo apurou esquema para facilitar entrada de celulares e antecipar informações sobre revistas realizadas na unidade

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Regional de Visconde do Rio Branco e da 1ª Promotoria de Justiça de Muriaé, obteve a condenação de seis pessoas em ação penal decorrente da operação Mecanismo.

A decisão, proferida em 9 de setembro, reconheceu a atuação dos condenados em uma estrutura ligada à facção criminosa Comando Vermelho, voltada à manutenção e coordenação de atividades ilícitas dentro e fora do sistema prisional.

Dois dos condenados, apontados como lideranças da organização criminosa, receberam penas de 11 anos, um mês e oito dias de reclusão, além de multa, em regime inicial fechado. Eles foram condenados pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e ingresso de aparelhos celulares em estabelecimento prisional.

De acordo com a sentença, os líderes cooptaram o então diretor de Segurança da Penitenciária de Muriaé para facilitar a entrada de materiais ilícitos na unidade e obter informações antecipadas sobre operações de revista nas celas. O esquema permitia a reposição de celulares apreendidos e a continuidade da comunicação entre integrantes da organização criminosa.

Três mulheres também foram condenadas por integrar o grupo. Segundo a decisão judicial, elas exerciam funções de gerência relacionadas à logística financeira e à administração de recursos empregados nas atividades criminosas.

A Justiça manteve as prisões preventivas dos dois líderes e de um integrante responsável pela função conhecida como “disciplina” dentro da organização, negando-lhes o direito de recorrer em liberdade. A sentença foi proferida em primeira instância e ainda cabe recurso.

Operação Mecanismo
As condenações são resultado das investigações desenvolvidas no âmbito da operação Mecanismo. A quarta fase da operação foi deflagrada em 26 de setembro de 2024, quando foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

A ação contou com a atuação do Gaeco Regional de Visconde do Rio Branco, com apoio do Gaeco de Juiz de Fora, do Gaeco e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro, da Promotoria de Justiça de Execuções Penais de Muriaé e da Polícia Militar de Minas Gerais.

A primeira fase da operação foi deflagrada em abril de 2022 para apurar a prática de crimes como corrupção passiva, corrupção ativa, concussão, prevaricação, organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico.

As investigações identificaram indícios da existência de um esquema criminoso envolvendo policiais penais, agentes públicos, presos e outros envolvidos, destinado a promover o ingresso de drogas, aparelhos celulares e demais materiais ilícitos em unidades prisionais da Zona da Mata mineira, mediante pagamento de vantagens indevidas e outros benefícios.

*Com MPMG

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