A síndrome do machista do século 21: a doença de não aceitar o “não te quero mais em minha vida”

Ele não aceita o fim.
Não aceita o “acabou”.
Não aceita o “não te amo mais”.
Não aceita, principalmente, o “não”.
No século 21, em plena era de discursos sobre igualdade, ainda existe uma doença social silenciosa — a crença de que amar é possuir. De que a mulher é extensão do ego masculino. De que o relacionamento é propriedade privada.
Quando ela decide ir embora, ele não enxerga uma escolha.
Enxerga afronta.
Quando ela diz “não te quero mais na minha vida”, ele não escuta liberdade.
Escuta desafio.
E é aí que mora o perigo.
O feminicídio não começa no ato extremo. Ele começa no controle disfarçado de cuidado. Na senha exigida “por confiança”. No ciúme chamado de amor. Na frase: “se não for minha, não será de mais ninguém”.
Essa é a síndrome do machista do século 21:
a incapacidade de lidar com a autonomia feminina.
A fragilidade emocional travestida de autoridade.
O orgulho ferido que prefere destruir a aceitar ser deixado.
Ele não mata por amor.
Ele mata por posse.
Mata porque aprendeu que perder é humilhação.
Porque nunca aprendeu que mulher não é território.
Por trás de cada manchete existe uma história que começou com um “eu só quero minha liberdade”.
Por trás de cada número estatístico existe uma família devastada.
Por trás de cada caso, uma sociedade que ainda precisa reaprender o significado da palavra respeito.
O “não” de uma mulher não é provocação.
É limite.
É direito.
É sobrevivência.
Enquanto homens confundirem rejeição com desonra,
e amor com domínio,
continuaremos contando vítimas.
Feminicídio não é crime passional.
É crime de poder.
É a falência emocional de quem nunca suportou não mandar.
Que a letra F deixe de ser luto
e passe a ser força.
F de firmeza.
F de fim da violência.
F de liberdade.
Porque amar nunca foi prender.
E ninguém deveria morrer por querer partir.
Ediene Barbosa












