Além de elogiarem a qualidade do atendimento que os pacientes recebem na CCL, familiares revelam preocupação com os riscos de uma nova transferência.
Familiares e pacientes que estavam internados em Cataguases e precisaram ser transferidos no último fim de semana para a Casa de Caridade Leopoldinense (CCL) manifestaram nesta quarta-feira (19) a vontade de permanecerem em Leopoldina para terminarem o tratamento da Covid-19.
A transferência dos pacientes de Covid-19 ocorreu após a ala para tratamento do novo coronavírus do Hospital de Cataguases (HC) ter sido interditada na última sexta-feira (14) pela Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais, que atendeu denúncia apontando falhas em protocolos médicos necessários, além de não possuir um plantonista intensivista. Por causa disso, todos os pacientes da Enfermaria Covid foram transferidos para a Casa de Caridade Leopoldinense. Na noite de segunda (17), o HC foi autorizado a receber novos pacientes depois de atender as exigências feitas pelo órgão estadual.
Em contato com a Redação do jornal O Vigilante Online, dois familiares de pessoas de Cataguases internadas na CCL e uma paciente que também veio transferida para Leopoldina relataram a qualidade do atendimento que estão recebendo dos profissionais do hospital de Leopoldina e revelaram sua preocupação com os riscos de uma nova transferência. A Casa de Caridade confirmou a informação de que os pacientes desejam permanecer na instituição até o fim do tratamento.
Em meio a todo esse transtorno causado pela necessidade de se transferir pacientes através de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), familiares e pacientes externaram sua vontade em continuar o tratamento na Casa de Caridade Leopoldinense, além de agradecer e ressaltar o bom atendimento e atenção prestada pelos profissionais da instituição.
O filho de uma paciente de 76 anos, que terá seu nome preservado pelo jornal, relembrou a apreensão vivida pelos seus familiares quando receberam uma ligação de sua mãe, que estava em tratamento da Covid-19 em Cataguases, informando que precisaria ser transferida. “Recebemos a ligação da minha mãe por volta das 22h00 da sexta. Ela nos relatou que estavam arrumando os pacientes para serem transferidos. Ela seguiu para a Casa de Caridade Leopoldinense, onde chegamos no começo da madrugada. Logo no início, quando minha mãe recebeu os primeiros atendimentos percebi um carinho muito grande dos profissionais da Casa de Caridade. Com a necessidade da viagem para Leopoldina minha mãe teve uma piora, mas nesta quarta-feira foi registrada uma melhora. O jovem ressaltou que teve a certeza que o hospital está organizado e preparado para receber os enfermos do novo coronavírus: “Liguei pros meus irmãos e os tranquilizei. Depois de todo esse transtorno, decidimos que ela não deve ser mais transferida, para evitar qualquer regressão em seu estado de saúde”, concluiu.
Uma paciente de 45 anos e que também não terá seu nome revelado pelo jornal relatou que deu entrada no HC com suspeita de dengue e logo depois foi diagnosticada com a Covid-19. No meio do seu tratamento, na sexta à noite, a paciente precisou ser transferida para Leopoldina. Ao jornal O Vigilante Online ela disse que está sendo muito bem atendida. “Os médicos controlam toda a situação e não penso em retornar pois agora estou quase curada. Em momento nenhum fui forçada para voltar para Cataguases, mas neste momento em que me encontro no meio do tratamento não gostaria de passar por uma nova transferência”, ressaltou a mulher, elogiando também todo o apoio psicológico que tem recebido da Assistência Social do Hospital de Cataguases.
Outro familiar de uma paciente transferida para Leopoldina demonstrou sua preocupação quanto a uma nova transferência pelo fato de sua mãe, já idosa, se encontrar com as plaquetas muito baixas. “Os médicos e profissionais da CCL estão cuidando muito bem da minha mãe”.
Procurada pela Reportagem, a Casa de Caridade Leopoldinense se pronunciou à respeito dos pacientes e familiares que se sentiram bem atendidos e desejam permanecer o tratamento da Covid-19 na instituição. “Para nós a manifestação dos familiares dos pacientes de Cataguases que querem permanecer recebendo tratamento em nossa instituição demonstra que estamos no caminho certo e nos tornando um hospital de referência regional. Estamos felizes em poder atender nossos irmãos de Cataguases com carinho, atenção e eficiência demonstrando que o árduo trabalho da criação do setor Covid foi bem feito e seguindo os melhores protocolos. Temos que agradecer a nossa equipe médica, de enfermagem, de nutrição, de manutenção, de limpeza e todos os demais funcionários que constroem essa história de êxito diante de um momento delicado para toda a humanidade. Somos uma instituição centenária e sentimos que nesse momento vamos cumprindo nossa missão de zelar pela saúde e a vida das pessoas. Recentemente tomamos conhecimento de indelicados comentários sobre nossa instituição numa reunião do Corpo Clínico do Hospital de Cataguases. Lamentamos as declarações infelizes e acreditamos não ser uma opinião institucional daquele respeitável hospital, contudo o desejo dos pacientes que de lá vieram de aqui permanecer, sem dúvida, demonstra que nosso trabalho e nosso hospital é motivo de orgulho para os leopoldinenses e para toda região. Nossa “Casa Velha” continua de portas abertas ao povo de Leopoldina, de Cataguases e de toda região sempre que for necessário para cumprir nossa missão de curar, e quando curar não for possível, de aliviar e confortar a todas e todos que de nós necessitarem.”
Jornal O Vigilante Online





