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Como a compra de votos mata uma cidade | Por Orlando Macedo

Colunista | Artigo - 07/11/2020 - 10:29 | Atualizado: 19/11/2020 - 19:09


Por Orlando Macedo
A história abaixo é composta de pequenos fragmentos reais. Ela é uma ficção tecida por realidade. Portanto, ao ler tenha certeza de que estes fatos acontecem. Porque já aconteceram antes.

Josué nasceu esperto. Isso todos lhe disseram quando criança, e nisso cresceu acreditando. O mundo validava sua conduta. Colava nas provas e saía ileso. Sempre pegava uma bala escondida ou outra na mercearia. Seus pais não o condenavam. Afinal, ele nasceu esperto, não é mesmo? E assim Josué foi levando sua vida.

Claro está que Josué nunca teve emprego fixo. O que, um cara esperto como ele trabalhar duro? Nem pensar. Em todo emprego que arrumava, havia sempre uma chance de empurrar um trabalho para um colega ou desviar uma coisa ou outra. Nunca foi pego, afinal, ele era esperto! (Apesar de não entender muito bem o porquê de muitos de seus colegas perdurarem em seus empregos. Ele, coitado, era esperto, mas sempre era alcançado pela “crise”. Num desses tempos de vacas magras (por causa da crise, obviamente, porque ele era esperto) calhou de ser período eleitoral. Ótimo! Período eleitoral é época de pessoas espertas fazerem dinheiro! E começou a vender seu voto. Acabou votando em um deles, um qualquer chamado Pacão.


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Pacão não tinha nome nem sobrenome, nasceu do dinheiro ilícito e com ele comprou sua candidatura. Investiu R$ 10.000 para receber R$ 8.000 por mês. Bom negócio. Tão bom negócio que ele sequer aparecia na Câmara. Vez ou outra ia, apenas para aparecer. Votava como bem entendia, mas pouco entendia do que estava sendo falado. Tanto que sequer sabia que havia votado para o fechamento de uma escola. Razões haviam muitas, mas a razão do empresário que também comprava votos (e também pagou cinquentão para o Josué) era um terreninho para expandir seus negócios. Essa história de vereador até que estava saindo bem rentável.

A escola que fechou era exatamente a que abrigava o filho do Josué. Sem nada para fazer durante o dia, começou a fazer pequenos serviços para os traficantes locais. Em dois já estava viciado e aos 17 veio a falecer em troca de tiros com a Polícia.

Nosso esperto anti-herói continua desempregado. E com um filho morto. Coloca a culpa na polícia e na política. Nele, não! Afinal, é um cara esperto!

Venda seu voto. E termine como o Josué... 



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