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Insônia: Um desafio a ser superado pela sociedade moderna | Por Dr. Emerson de Paula Santos

Colunista | Artigo - 26/07/2020 - 10:22 | Atualizado: 26/07/2020 - 15:16


 Dr. Emerson de Paula Santos.
É com muita satisfação que escrevo para nossa querida Leopoldina e região. Sou Emerson de Paula Santos, médico pela Universidade Federal de Viçosa (CRM 71385) e neurologista pela Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, formando os melhores neurologistas do estado desde 1964 (RQE 47146).

INSÔNIA – UM DESAFIO A SER SUPERADO PELA SOCIEDADE MODERNA

Definição e Diagnóstico

A inspiração no tema foi pela elevada prevalência, ou seja, ser muito comum na população, e, também pela necessidade em conscientizar de que benzodiazepínicos (clonazepam, bromazepam, diazepam, alprazolam, lorazepam) não são para tratar insônia. No mundo a prevalência gira em torno de 10%, com sintomas de insônia em até 30% da população. No Brasil esses mesmos números giram entre 15-35% e 45% respectivamente. Tudo isso faz com que seja uma das doenças mais importantes no nosso tempo. 

Todos já enfrentaram uma noite em claro, mas, veja bem, isso não é sinônimo de insônia. Por definição, insônia é uma dificuldade para iniciar e/ou manter o sono e/ou despertar precoce. Isso leva a insatisfação do paciente com sua qualidade de sono e é acompanhada de sintomas diurnos consequentes a noite mal dormida. Essa definição parte do pressuposto de que a pessoa tenha as condições adequadas, tempo e local, para dormir.


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O último consenso, terceira edição da Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono de 2014, diz que a insônia é crônica quando tem duração maior que 3 meses. Nessa classificação foram adicionados os conceitos de “resistência em deitar-se em horário adequado” e “dificuldade para dormir sem intervenção do cuidador ou dos pais”, isso diz respeito aos pacientes crianças e com dificuldades cognitivas, por exemplos os demenciados.

Em relação aos sintomas diurnos, são diversos: fadiga, comprometimento da atenção, concentração e memória, comprometimento social, laboral e acadêmico, transtorno de humor, irritabilidade, sonolência. Inclusive é importante prestar atenção ao fato de ser um confundidor com o diagnóstico de TDAH no adulto.

Em termos de etiologia, ou seja, a origem e causa do problema, há componentes genéticos, estruturais e psíquicos, mas o mais relevante são os relacionados ao trabalho e ambiente. Anteriormente, nas classificações mais antigas, a insônia era entendida como sintoma de algum transtorno psiquiátrico, por exemplo depressivo ou ansioso. Hoje ela é vista como comorbidade.  Isso porque muitas vezes ela precede o surgimento de outros sintomas de humor e ansiedade, porque demanda tratamento específico e porque a resolução do transtorno de base só se dá após o tratamento da insônia.

Em termos de classificação por subtipos clínicos fisiopatológicos temos: (i) a insônia psicofisiológica, aquela do sono leve de fácil despertar comumente associados a comportamentos desadaptativos como nosso maior exemplo é o paciente que acorda no meio da noite e pega o celular do lado da cama pra mexer; (ii) a insônia idiopática, que é aquela que vem desde a infância e acompanha ao longo da vida; (iii) a insônia paradoxal, onde na verdade o que há é uma má percepção do sono, o comum é o paciente que chega com o relato de que não dorme nada e o acompanhante do lado que não é bem assim, ele até dorme; (iv) insônia relacionada a má higiene do sono, em que o problema está nos cochilos diurnos, rotina sem horários fixos, atividade física e mental pré-sono intensas, ambiente inadequado.

Sobre o diagnóstico da insônia, ele é eminentemente clínico, através de uma conversa minuciosa e detalhada. É comum a gente ver a solicitação de polissonografia, um exame ainda pouco acessível, poucos locais realizam e sem cobertura pelo SUS, para qualquer caso de insônia. Isso é um erro grave, só vai acrescentar mais uma noite mal dormida e não vai auxiliar no tratamento. Há indicações específicas para o exame, que não são a grande maioria dos pacientes.

Tratar a insônia tem um objetivo que vai além da melhora do sono momentâneo, o tratamento previne problemas neurológicos futuros como cefaleia, declínio cognitivo e quadros vertiginosos, por exemplo.

O tratamento da insônia passa por duas estratégias que podem ser usadas separadamente ou de preferência associadas. Em breve traremos a discussão sobre as possibilidades terapêuticas.

Dr. Emerson de Paula Santos
Médico Neurologista



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