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Casa de Caridade Leopoldinense divulga Nota de Repúdio por declaração feita pelo prefeito José Roberto

O VIGILANTE ONLINE | Leopoldina - 26/06/2020 - 18:20 | Atualizado: 27/06/2020 - 18:21

“Na hora que vai para o respirador só vai o rico”, afirmou o prefeito entrevistado em uma live no Facebook. Assessoria de Imprensa da prefeitura enviou esclarecimento.


Arquivo/O Vigilante Online
Matéria Atualizada

A Casa de Caridade Leopoldinense divulgou nesta sexta-feira, 26 de junho, Nota de Repúdio a uma declaração do prefeito de Leopoldina, José Roberto de Oliveira, durante recente entrevista concedida pelo chefe do Poder Executivo Municipal através de uma live no Facebook. “Na hora que vai para o respirador só vai o rico”, afirmou o prefeito.

O Jornal O Vigilante Online entrou em contato com a Assessoria de Imprensa da Prefeitura e disponibilizou espaço para que o prefeito José Roberto se manifeste sobre o assunto, o que não aconteceu até o fechamento da matéria. 

Neste sábado, 27 de junho, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Leopoldina enviou à Redação o posicionamento do prefeito José Roberto de Oliveira em relação ao caso. Confira, após a Nota de Repúdio da Casa de Caridade Leopoldinense. 
 

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Confira a íntegra do documento, assinado pela Provedora da Casa de Caridade Leopoldinense, Vera Maria do Valle Pires.

NOTA DE REPÚDIO

A CASA DE CARIDADE LEOPOLDINENSE vem publicamente repudiar com veemência a afirmação feita em entrevista/live no facebook do jornalista Haroldo Crespo pelo Sr. Prefeito Municipal, Dr. José Roberto de Oliveira que afirmou: "Na hora que vai para o respirador só vai o rico"

A infeliz, equivocada e enganosa afirmação do Prefeito Municipal de Leopoldina ferem a honra deste hospital e a de seus profissionais. Com um estilo indecoroso, irresponsável e desleal, lamentavelmente o Prefeito Municipal procura induzir a população, que já amarga um momento de grande aflição e temor devido a pandemia de Covid-19, a conclusões falsas e equivocadas.

O momento não é de instaurar pânico nem caos na população e, sim, propagar informações corretas de orientação e prevenção. Colocar em dúvida o trabalho árduo, necessário e sério dos profissionais da Casa de Caridade Leopoldinense, que vem enfrentando com garra e resignação a pandemia, é leviano e covarde.

A Casa de Caridade Leopoldinense é uma instituição filantrópica privada conveniada ao SUS com mais de 116 anos de existência e que durante sua história secular sempre lutou e luta pela saúde de todos os cidadãos leopoldinenses, pela preservação da vida, pelo salvamento daqueles que em seu momento de dor necessitam de amparo e de cuidados.

Nossos profissionais médicos, junto com os demais funcionários dessa Casa de Caridade, estão ao longo dessa pandemia de Covid-19 atuando com extremo zelo e coragem para salvar a vida de todos os pacientes que necessitam de internação e não fazem qualquer distinção entre esses pacientes. Mais de 90% de nossos pacientes estão internados pelo SUS e os respiradores estão sendo direcionados de acordo com critérios médicos a todos que deles necessitam, sejam ricos ou pobres. Aos nossos olhos todos são iguais, merecem respeito, carinho e cuidado.

Não permitiremos que nesse momento uma fala irresponsável e sem qualquer amparo na verdade venha manchar a história de luta e coragem que todas e todos da Casa de Caridade Leopoldinense estão construindo nesse momento de pandemia.

Sempre enfrentamos o descaso das autoridades e governos para com a saúde da população, nesse momento não tem sido diferente. Contudo, estamos na trincheira superando todas as adversidades do momento para que possamos prestar aos doentes que de nós necessitam o cuidado e o tratamento que precisam e merecem. E repetimos, todas e todos os pacientes são tratados por nós sem nenhuma distinção.

A retórica do prefeito encobre seu dever de cuidar das pessoas, obrigação constitucional e prover o bem-estar de cada um e de todos, sem preconceitos ou discriminações de ordem econômica, social ou pessoal. Nós da Casa de Caridade Leopoldinense temos como missão primeira cuidar das pessoas, ampará-las e aliviar suas dores e como diz o aforismo que seguimos: “curar, aliviar, cuidar, consolar e confortar na medida do possível, independentemente de quem esteja a precisar de ajuda”.

Reconhecemos o essencial e necessário auxílio que nos vai dado pelo Prefeito Municipal de Leopoldina, sua preocupação em abrir leitos e garantir aos cidadãos leopoldinenses o tratamento adequado, por isso recebemos com espanto e tristeza sua infeliz declaração. Afinal, custas nos crer que ele destinaria recursos a uma instituição que não considera séria e que trataria seus pacientes com distinção de ordem econômica, financeira e social.

Lamentamos, afinal a afirmação do Prefeito Municipal e a repudiamos por ser totalmente falsa. Lamentamos ainda o desrespeito e retrocesso nos valores republicanos que essa fala representa. O Prefeito conhece os fundamentos e organização do SUS e a lisura daqueles que estão na luta contra o coronavírus dia e noite na Casa de Caridade Leopoldinense, afirmar que apenas ricos se utilizarão de respiradores é desleal e atenta contra a dignidade da pessoa humana.

Em razão do exposto, a Casa de Caridade Leopoldinense reafirma seu repúdio, com veemência, a afirmação do Sr. Prefeito Municipal José Roberto de Oliveira reafirmando nosso compromisso de atender a todas e todos sem qualquer distinção ou preconceito. Aproveitamos para tranqüilizar aqueles que de nós precisarem que tenham a certeza de que aqui encontrarão o tratamento adequado e necessário com carinho, amor e respeito como é de nossa obrigação. E aos nossos profissionais médicos, enfermeiros, de nutrição, laboratório, higienização, manutenção, administrativos, a nosso Administrador, a nossa Diretoria Técnica e Clinica nosso reconhecimento pela dedicação, amor e luta que vem salvando a vida de tantos de nossos irmãos leopoldinenses nesse momento delicado da pandemia de Covid-19. A vocês nossa homenagem e nosso muito obrigado! Vocês são os reais heróis nesse momento.

Essa nota de repúdio, expõe a toda a sociedade leopoldinense a gravidade da declaração infeliz do Prefeito, seu desrespeito pelo próximo e sua falta de decoro.

Reafirmamos com a população de Leopoldina nosso compromisso em melhorar a cada dia nossos serviços buscando sermos mais eficazes, responsáveis e humanizados para que possamos acolher e tratar cada vez melhor todos os nossos pacientes sejam eles ricos ou pobres, para nós vocês são e serão sempre todos iguais.

As críticas quando construtivas e verdadeiras são sempre bem recebidas, mas não podemos admitir aquelas que faltam com a verdade e atingem a honra de uma instituição séria e essencial nesse momento e que fere o direito de nossos profissionais no que diz respeito à sua dignidade, à sua condição humana, justiça e cidadania.

Leopoldina, 26 de junho de 2020.
Vera Maria do Valle Pires
Provedora
ESCLARECENDO O REPUDIO DA CCL

PREFEITO É ATACADO POR DEFENDER FILA ÚNICA NO COMBATE À PANEMIA, SEM

DISCRIMINAR POBRE OU RICO

JOSÉ ROBERTO DE OLIVEIRA, na condição de Prefeito Municipal de Leopoldina, vem a público esclarecer sobre a nota de repúdio firmada pela Provedora da Casa de Caridade Leopoldinense, certamente inspirada por notórios opositores.
 
Referido texto se insurge contra a expressão NA HORA QUE VAI PARA O RESPIRADOR SÓ VAI RICO. Pretensa Nota, enganosa, infeliz e virulenta é que objetiva agredir o Chefe do Poder Executivo.

Equivoca-se quando vislumbra qualquer ataque aos profissionais trabalhadores da Casa de Caridade Leopoldinense na fala do signatário. Indecorosa é a ira destilada na dita Nota de Repúdio.

O momento é de conscientizar a população, principalmente a mais carente. O Poder Executivo tem cumprido exaustiva e inarredável missão de incutir em nosso povo a necessidade do sacrifício pessoal em prol do bem comum.

A nossa atuação objetiva, até com medidas impopulares, o bem estar geral, portanto emite incansáveis sinais de alerta contra o descuido em evitar o contágio do vírus. Almeja esclarecer sobre as reais consequências do novo coronavírus – COVID 19, dentre elas a mais grave que ceifa inúmeras e dolorosas vidas.

“Como médico sei da situação calamitosa que se anuncia, capaz de afetar a área de saúde, bem como os desdobramentos da doença e os riscos que a falta de leitos pode ocasionar verdadeiro caos. Como Prefeito, permaneço atento ao que for melhor para o bem estar social e me cumpre estar antenado com a fática situação do país”, afirma o prefeito José Roberto de Oliveira.

A respeitada Doutora Ligia Bahia lidera um grupo de médicos e pesquisadores que defendem a criação emergencial de um pool único de recursos para cuidados intensivos nesta pandemia, dotando dos melhores recursos médicos os casos mais graves. Em resumo, defendem a fila única para cuidados médicos intensivos no SUS.

Pela proposta do grupo, “ao invés de filas separadas para o atendimento médico intensivo, uma de plano de saúde e outra destinada para usuários do SUS, uma fila única de acordo com a gravidade de cada caso.” Devem ser considerados como recursos médicos leitos, respiradores, medicamentos e profissionais, como ocorre em diversos países, citando França, Itália, Espanha, Irlanda, Inglaterra e Austrália.

No Brasil diversas entidades médicas já defendem a prática diante do avanço de números de casos e mortes pela nova doença, entre eles o GRUPO DE ESTUDOS SOBRE PLANOS DE SAÚDE (GEPS), vinculado ao Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP, assim como o Grupo de Pesquisa e Documentação sobre o Empresariamento da Saúde (GPDES), ligado ao Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ.

A fila única permite que se faça um uso racional dos recursos e que estes sejam adequados de acordo com a gravidade do problema. Fila quer dizer pessoas com determinadas condições para ser atendidos, de modo a que sejam alocados os recursos mais necessários para quem tem o pior problema com a doença, independente de ter ou não plano de saúde.

É o principal objetivo dos pesquisadores, assim como do Prefeito, combater o atual modelo praticado no Brasil que contém este padrão de desigualdade como obstáculo para reduzir letalidade nessa pandemia.

Diversos projetos em análise na Câmara dos Deputados criam uma fila única para o atendimento de pacientes com COVID-19 em qualquer unidade de terapia intensiva (UTI) do País, seja pública ou privada. Um deles é o de nº 2333/20, apresentado pela bancada do Psol, que estabelece a gestão unificada de todos os leitos hospitalares do País, incluindo unidades militares, filantrópicas e privadas, a fim de assegurar o atendimento universal e igualitário a pacientes com a doença.

A proposta institui a Fila Única Emergencial para a Gestão de Leitos Hospitalares, que deverá ser respeitada enquanto durar o estado de calamidade pública reconhecido pelo Congresso Nacional até 31 de dezembro de 2020. A formação da fila deverá levar em conta a gravidade do caso e a ordem cronológica de chegada do paciente à lista de internação.

Os autores da proposta citada aduzem que a utilização dos leitos privados será a diferença entre a vida e a morte de muitos cidadãos. O projeto proíbe expressamente o uso da capacidade de pagamento individual do paciente como critério para composição da fila única.

Esta prática é definida como fraude punível nas esferas cível, administrativa e penal. O texto veda ainda negar atendimento ou investigar, por qualquer meio, se o cidadão que procura atendimento tem ou não plano de saúde.

Outro Projeto de Lei nº 1316/20, de deputados federais de São Paulo (PT), também regulamenta a requisição de leitos da rede privada para o SUS. Pelo texto a requisição será procedida por ato do respectivo Chefe do Poder Executivo local devidamente justificado. O pedido poderá recair sobre leitos, alas ou a totalidade da unidade de saúde, a depender da necessidade e conveniência da administração pública.

Os projetos 2176/20 e 2301/20, de deputados do PC do B focam no paciente grave.

Destacam que a Constituição Federal já prevê a possibilidade de intervenção do Estado no domínio privado em caso de grave e iminente perigo público. Observam que o SUS conta com apenas 44% dos leitos do país, que atendem a 75% da população, enquanto os leitos privados em 56 % atendem a 25% da população.

Este é o contexto da fala do Prefeito resumida na frase contestada pela nota da CCL. O Prefeito defende os projetos citados que contém solução para o problema destacado, que se reproduz na CCL. Exatamente por sua responsabilidade como gestor é que lhe incumbe prevenir e zelar pelo direito à vida de toda a população, independente da sua condição social.

A entrevista do Prefeito Municipal teve como tema principal as medidas de combate ao COVID-19 em nossa cidade, ocasião em que esclareceu dúvidas a respeito do novo decreto, além de fazer vários alertas à população em relação ao correto uso de máscaras e da necessidade do isolamento social.

Como até mesmo reconhece a famigerada nota de repúdio, na atual gestão municipal foram reforçados os investimentos no hospital, em valor superior a um milhão de reais. É de se lamentar que a CCL tenha se sentido ofendida, mas o Chefe do Poder Executivo reforça que todos os investimentos necessários estão e continuarão sendo realizados nesta Instituição centenária, com o único objetivo de preservar a saúde e salvar vidas de todos os leopoldinenses.

A virulência da nota da CCL não é capaz de negar o fato constante dos ditos projetos de lei. Inclusive, também, algumas câmaras municipais tem se debruçado na questão e promovido debates de modo a desfraldar a bandeira contida nas propostas de lei.

A contestada retórica do Prefeito, na verdade sintetiza seu dever de cuidar das pessoas, sua obrigação constitucional de também prover o bem estar de cada um e de todos. 
Almeja obter a garantia de que todos são iguais e que assim serão tratados em tempos como os atuais. Nada mais.

A CCL também deve aderir e garantir que em Leopoldina se faca uma única fila, antecipando aos projetos, de modo a que todos os leitos sejam usados conforme a proposta de fila única que defende o Prefeito e consta da própria Constituição que assegura sermos todos iguais perante a lei. Independente de ser pobre ou rico. É quanto basta.

“Me causou enorme surpresa e repugnância a nota da Casa de Caridade Leopoldinense, pelo fato de ter sido liberado para a mesma mais de 1 milhão e 100 mil reais, destinados ao combate do Covid-19. Sendo assim, nós temos o direito, dever e obrigação de zelar pelo bom empenho desses recursos, pois a fila única repudia os privilégios e dá solidariedade e igualdade a todos os pacientes, independente de classe social”, conclui o prefeito de Leopoldina, Dr. José Roberto de Oliveira.

Fonte: Jornal O Vigilante Online



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