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Quarta morte causada por cerveja contaminada é confirmada em Minas Gerais

O VIGILANTE ONLINE | MG - 17/01/2020 - 07:29 | Atualizado: 17/01/2020 - 08:33

Vítima é uma mulher que morreu no fim de dezembro no interior. Justiça autoriza envase dos tanques não lacrados da Backer.


Kiuane Rodrigues/ Record Tv Minas
A Secretaria de Saúde de Minas Gerais confirmou, na tarde desta quinta-feira (16), a quarta morte por ingestão de dietilenoglicol, substância tóxica encontrada em cervejas produzidas pela Backer, em Belo Horizonte. A vítima é uma mulher que morreu no dia 28 de dezembro em Pompéu, interior do estado. Já são 18 casos, incluindo mortes e internações por intoxicação. Na manhã de hoje, havia sido confirmada a terceira morte por intoxicação.

São 12 casos em Belo Horizonte e seis nas cidades de Nova Lima, Pompéu, São João Del Rei, São Lourenço, Ubá e Viçosa. Inicialmente, havia a confirmação de lotes contaminados por dietilenoglicol na cerveja Belorizontina, da Backer. Hoje, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou a presença de substâncias tóxicas em outras cervejas produzidas pela empresa mineira.


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A ingestão de dietilenoglicol pode causar síndrome nefroneural. A Secretaria de Saúde pede que sejam notificados às autoridades locais os casos de pessoas que ingeriram cerveja da marca Backer a partir de outubro de 2019 e apresentaram em até 72 horas sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vômito e/ou dor abdominal) associados a alterações da função renal ou sintomas neurológicos (paralisia facial, borramento visual, amaurose, alterações de sensório, paralisia descendente e crise convulsiva).

Exames laboratoriais encontraram monoetilenoglicol e dietilenoglicol nas cervejas de rótulos Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2. A marca Belorizontina, que é vendida como Capixaba no Espírito Santo, foi o primeiro rótulo da Backer a ter a contaminação confirmada.
 

Operação

Devido às suas propriedades anticongelantes, o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol costumam ser usados em sistemas de refrigeração. A cervejaria Backer, no entanto, tem negado empregar as duas substâncias em sua linha de produção. Procurada, a cervejaria não se pronunciou sobre as novas conclusões do Ministério da Agricultura, nem sobre o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na distribuidora que lhe fornece insumos.
 

Investigação

O Ministério da Agricultura informou que continua  "atuando nas apurações administrativas para identificar as circunstâncias em que os fatos ocorreram e tomando as medidas necessárias para mitigar o risco apresentado pelas cervejas contaminadas”.

No último dia 13, a pasta intimou a empresa a recolher dos estabelecimentos comerciais toda a sua produção vendida a partir de outubro de 2019 até a presente data. Antes disso, o ministério já havia lacrado tanques e demais equipamentos de produção e apreendido 139 mil litros de cerveja engarrafada e 8.480 litros de chope.
 

Justiça Federal autoriza envase dos tanques não lacrados da Backer

A Justiça Federal acatou parcialmente o pedido de defesa da Cervejaria Backer sobre a interdição da fábrica da empresa. A Juíza Federal Substituta 14ª Vara SJMG Anna Cristina Rocha Gonçalves ressaltou a importância de retirar do consumidor as marcas com risco de contaminação e manteve a proibição da comercialização das Belorizontina e Capixaba. Mas, ela autorizou o envase dos tanques não lacrados relativos a outras marcas.

No documento da decisão, a defesa da empresa informou que ficam prejudicados: 800 pessoas, sendo 200 empregados diretos, 250 funcionários nos 4 restaurantes da marca Backer e 600 colaboradores indiretos – dentre motoristas,operadores logísticos, promotores de vendas e representantes comerciais.
 
Segundo o argumento da empresa a "folha de pagamento alcançou, em dezembro de 2019, R$705 mil o  que despertou interesse de inúmeras multinacionais de bebidas, mas optou por manter as tradições mineiras e resistir às propostas de venda recebidas ao longo dos anos, pois se considerada patrimônio do Estado de Minas Gerais."

Caso seja mantida a interdição total, a defesa da cervejaria afirma se não honrar com seus compromissos financeiros isso culminará com o encerramento definitivo de suas atividades. A defesa afirma que a cerveja armazenada em 69  tanques pode perecer caso não envasada. Portanto, o pedido para a autorização do envase dos tanques não lacrados – com o acautelamento das garrafas envasadas no próprio estabelecimento industria. Amagistrada autorizar "o envase dos tanques não lacrados relativos a outras marcas, exceto Belorizontina e Backer, mantendo-se o acautelamento das garrafas no parque industrial da Impetrante até que sua comercialização seja liberada pelo Ministério da Agricultura."

A magistrada acolheu parcialmente o pedido da Backer para ter acesso a todos os laudos e documentos, levantando o sigilo processual das decisões e despachos, inclusive, dos laudos do Ministério da Agricultura encaminhados à Justiça.

"Diante do interesse público envolvido no presente feito, determino seja levantado o sigilo processual das decisões e despachos proferidos, inclusive dos laudos do Ministério da Agricultura encaminhados ao Juízo, mantendo-se unicamente o sigilo dos documentos que acompanham a inicial", diz o documento.

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Fonte: Jornal O Vigilante Online, com informações do jornal Estado de Minas e G1



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