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Substância em cerveja pode ser a causa da 'doença misteriosa' em Minas Gerais

O VIGILANTE ONLINE | MG - 10/01/2020 - 08:20 | Atualizado: 10/01/2020 - 08:53

Substância anticongelante identificada em exames preliminares pode provocar intoxicação, com sintomas como insuficiência renal e problemas neurológicos.


Divulgação - Laudo apontou substância tóxica em cerveja
Em laudo emitido pela Polícia Civil, especialistas indicam a presença da substância dietilenoglicol na cerveja Belorizontina, da marca mineira Backer. A instituição confirmou que o laudo é autêntico e foi emitido nesta quinta-feira (9).

Conforme aponta o documento, em duas amostras de cerveja encaminhadas pela vigilância sanitária, foi identificada a presença da substância, em exames realizados preliminarmente. Ambas pertencem aos lotes L1 1348 e L2 1348.

A substância pode ter sido a causadora da “doença misteriosa” que, até agora, acometeu pelo menos oito pessoas em Belo Horizonte. Uma delas morreu.

O que é o dietilenoglicol?

O dietilenoglicol é uma substância anticongelante, de uso muito comum na indústria. Sua ingestão pode provocar intoxicação com sintomas como insuficiência renal e problemas neurológicos, de acordo com o médico infecnologista Carlos Starling.


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“Em geral, esse produtos são usados, por exemplo, em congeladores, freezers, para limpeza. Se ingerido, ele pode, sim, provocar intoxicação”, afirma o médico.

Entretanto, de acordo com ele, o fato de haver a presença do produto no local não significa que seja a causa da intoxicação, porque ele é usado em várias atividades industriais. “Sei que é usado como anticongelante, em refrigeradores, para evitar congelamento”, diz o médico.

De acordo com o mestre cervejeiro Marco Falcone, é comum o uso do dietilenoglicol na indústria cervejeira, principalmente, no processo de resfriamento da bebida. No entanto, segundo ele, é pouco provável que tenha acontecido alguma contaminação, uma vez que a substância não entra em contato direto com o líquido durante o processo de fabricação

“A fabricação da cerveja, o processo, é todo fechado. A Backer é uma empresa bastante consciente e responsável, dificilmente haveria alguma contaminação. A cerveja existe há mais de oito mil anos e nunca aconteceu alguma contaminação”, argumentou.

O que se sabe até agora

Até agora, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou que oito pessoas foram acometidas por doença cujos sintomas são de insuficiência renal e problemas neurológicos. Sete pessoas estão internadas, e uma morreu em decorrência da doença.

Trata-se do bancário Paschoal Demartini Filho, de 55 anos, que era morador de Ubá, na Zona da Mata. Ele chegou a ficar internado em Juiz de Fora, também na mesma região, e morreu na terça-feira (7). O corpo dele foi necropsiado pela Polícia Civil em Minas Gerais.

Segundo familiares, ele e um genro ingeriram a Belohorizontina no bairro Buritis, região Oeste, no fim de dezembro. Esse genro de 37 anos também está internado com a doença. 

Inquérito

A Polícia Civil instaurou inquérito, nesta quinta-feira (9), para apurar as causas da “doença misteriosa”. Também nesta quinta, a instituição esteve na cervejaria para recolher amostras da bebida.

Confira a nota da Backer na íntegra 

Após entrevista coletiva nesta tarde, a Polícia Civil divulgou laudo informando que a substância dietilenoglicol foi identificada em duas amostras recolhidas da cerveja Belorizontina na casa de clientes, que vieram a desenvolver os sintomas. Vale ressaltar que essa substância não faz parte do processo de produção da cerveja Belorizontina, fabricada pela Cervejaria Backer. 

Por precaução, os lotes em questão - L1 1348 e L2 1348 - citados pela Polícia Civil, e recolhidos na residência dos consumidores citados, serão retirados imediatamente de circulação, caso ainda haja algum remanescente no mercado. A Cervejaria Backer continua à disposição das autoridades para contribuir com a investigação e tem total interesse que as causas sejam apuradas, até a conclusão dos laudos e investigação.
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Fonte: Jornal O Vigilante Online, com Jornal O Tempo



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